terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um "meu" momento

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Hoje eu não queria ser tão forte.
Hoje eu queria chorar, chorar.
Hoje eu queria me desesperar.
Hoje eu queria não querer.

Não querer essa dor.
Não querer o que se foi.
Não querer esse rancor.
E querer o que não sou.

Não sou o que querem.
Não sou como querem.
Não quero o que querem.
Nem sei o que querem.

Só hoje deixem eu ser eu.
Ser o que não desejam.
Ser o que não percebam.
Só hoje deixem eu ser algo.
Algo que um dia talvez vocês conheçam.

Sonho pra te encontrar.

Ah como hoje eu queria ir para um lugar campestre, bem ensolarado, com um riacho no final da estrada de barro.
Como eu queria correr por essa estrada, parar no meio do caminho e subir naquele pé-de-manga, tirar e me lambusar toda.
Cantarolar bem alto, gritar enlouquecidamente como é bom viver, chegar no riacho e me despir  e me deliciar naquela água límpida.
E só sair dali mediante ao chamado do cheirinho de café que a velha fez na casa antiga.
Ver o pôr do sol sentada numa cadeira de balanço, ouvindo o canto das aves,
Ali eu estaria vazia, vazia das preocupações, vazia de tanta gente enchendo o saco, vazia de mim.
Só estaria eu e a velha, ou "véia" como eu chamaria.
E ao tocar na "véia", sua pele ia se transformando.
Eu reconheço esse olhos -dizia eu a cada toque.
Essas bochechas, esses lábios, essas mãos, esse abraço.
E eu agoniada, com um bolo na garganta, falei quase se ar:
- É você, minha mãe?!!
E a resposta foi essa
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